Cooperação bem-vinda

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Por décadas, a relação entre prefeitura e governo estadual em São Paulo oscilou entre a disputa política e a indiferença administrativa, deixando obras paradas e projetos de mobilidade urbana à espera de convergência institucional. O cenário recente, porém, aponta para outro caminho: o de uma articulação mais madura entre as duas esferas de poder, capaz de destravar empreendimentos que há anos aguardavam solução.
Nos últimos anos, a atuação conjunta entre prefeitura e governo do estado avançou em áreas estratégicas — habitação, segurança, saúde e, sobretudo, mobilidade urbana, combinando investimentos, compartilhamento de estruturas e coordenação entre diferentes órgãos públicos. O resultado é concreto: retomada de obras que estavam paralisadas, ampliação da rede sobre trilhos e melhor integração entre modais.
Um exemplo recente desta cooperação é o convênio firmado para viabilizar investimento municipal de R$ 120 milhões na implantação da Linha 20-Rosa do Metrô, com recursos provenientes da Operação Urbana Consorciada Faria Lima (OUCFL), que serão destinados à elaboração de projetos, execução de obras e demais serviços necessários à implantação da nova linha.
Esses avanços não são fruto do acaso, mas de um modelo de gestão que reconhece uma verdade elementar do federalismo brasileiro: municípios e estados compartilham o mesmo território e a mesma população, e problemas urbanos de grande escala raramente cabem dentro dos limites de uma única esfera de governo. Quando prefeitura e governo estadual dividem investimentos, estrutura técnica e capacidade de execução, o cidadão é o beneficiário direto — seja por meio de um terminal que reduz o tempo de deslocamento, seja por uma linha de metrô que finalmente sai do papel.

É preciso, no entanto, que essa cooperação se institucionalize para além dos governos de plantão. Convênios, acordos de cooperação e parcerias público-privadas precisam de transparência na prestação de contas e de continuidade que independa de alianças político-partidárias momentâneas. A mobilidade urbana da maior metrópole da América Latina não pode ficar refém de disputas eleitorais: ela exige planejamento de longo prazo, coordenação técnica permanente e vontade política renovada a cada gestão.
O modelo de parceria entre prefeitura e estado tem mostrado, na prática, que é possível destravar obras represadas por anos. Cabe agora consolidá-lo como política de Estado — não como favor de ocasião — para que São Paulo continue avançando na direção de um transporte público mais eficiente, integrado e acessível a todos os seus habitantes.

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