A especulação imobiliária, em uma cidade como São Paulo, é algo que não se pode evitar e com a qual, mesmo agora com a crise climática, somos obrigados a conviver. No entanto, o que estamos vendo acontecer no antigo Bosque dos Salesianos, área que foi devastada para atender aos interesses da construção civil, mostra o lado cruel da expansão da cidade, que, principalmente por acontecer no quintal de nossas casas, nós, moradores, temos a obrigação de denunciar.
Esta semana, o JG recebeu de uma moradora do Alto da Lapa, cuja casa fica perto do terreno do antigo bosque, fotos que chocam e nos entristecem por escancarar a falta de cuidado do poder público, lado a lado com os interesses do privado, ao autorizar o corte e compensação arbórea esquecendo-se da fauna local.
As fotos enviadas pela moradora denunciam os pequenos saruês, animais que habitavam o bosque, morrendo ao sair do terreno e atravessar as ruas na tentativa de buscar comida, agora escassa pela falta das árvores, nas casas vizinhas. Expulsos de seu habitat natural, os saruês, nessa busca, têm sido atropelados ou abocanhados pelos cães. Algo, sem dúvida, triste de ver…
Apesar de a Secretaria do Verde e Meio Ambiente (SVMA) ter afirmado que o TAC foi assinado após uma vistoria com a presença de especialistas em fauna, o que as imagens denunciam é que, aparentemente, nenhuma iniciativa foi tomada no sentido de proteger esses e outros animais que viviam no local.
Mesmo sem sermos especialistas em biologia ou meio ambiente, não podemos deixar de colocar aqui algumas perguntas que não querem calar. Já que as árvores do bosque receberam autorização para serem cortadas, os saruês não poderiam ter sido retirados do bosque, antes da devastação, e readaptados em outra área verde da cidade? Não seria isso o mínimo que a Secretaria do Verde deveria fazer para proteger o pouco que resta de nossa fauna nessa selva de pedra que se tornou São Paulo?
A atenção que os moradores pedem do poder público em relação à sobrevivência dos saruês é, acima de tudo, uma questão de humanidade. Afinal, nós, seres humanos, fomos criados com um coração e uma inteligência que nos sensibilizam a acolher e proteger outras vidas. E os animais, como seres vivos, se inserem neste contexto.
Esperemos que ainda haja tempo de a secretaria reverter essa situação e dar nova chance de vida a esses animais.






























