Ressaca eleitoral

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A polarização política está em toda parte. Tivemos um exemplo esta semana, no show do músico Roger Waters realizado no Allianz Parque. Ao se manifestar nos dois dias de apresentações, com críticas ao crescimento do fascismo no mundo e contrário ao candidato Jair Bolsonaro, parte do público apoiou e outra vaiou. Não é novidade que a música e outras manifestações artísticas são utilizadas como instrumento de ativismo para expressar posições políticas. O que parece ser novo é essa falta de discernimento das pessoas que não conseguem entender ou aceitar que todos devem ter liberdade de expressar suas opiniões. Ou seria falta de interpretação de texto?

Mas mesmo quem não foi ao show pode sentir essa ressaca política. Existem defensores de ambos os lados na disputa pela presidência e os indecisos que não gostam de nenhum. Se o debate em TV nacional teve que ser postergado por causa de recomendações médicas, o que não falta entre os eleitores é bate-boca, seja no mundo real ou virtual. É preocupante que a argumentação seja mais frequente para desqualificar o outro lado do que para defender propostas dos candidatos. Também é desconcertante a quantidade de pessoas que têm desqualificado veículos da imprensa, nacional e internacional, e especialistas por demonstrarem seu receio diante de um dos candidatos.

Vivemos o chamado “infocalipse”, uma verdadeira guerra de informações onde algumas pessoas acreditam em tudo que é divulgado e outra duvida de tudo. Se a internet democratizou o papel de emissor de conteúdo e deu voz para todos, cada vez mais são necessários departamentos para checar a veracidade daquilo que está na rede.

Na região, ao analisar os votos do primeiro turno, percebe-se que a Lapa segue o movimento pendular que pode ser percebido em diversas partes do mundo, com uma guinada à direita. A divisão em lados opostos sempre foi notável em reuniões de conselhos e entidades da região. Hoje, mais do que discutir esquerda e direita, as pessoas devem lembrar que o foco é escolher um capitão para o barco onde todos estão. Não se trata de ganhar ou perder uma discussão, porque todos perderão se o governo for ruim. A discordância sobre qual o modelo econômico mais adequado sempre vai existir, com defensores dos mais diversos sistemas, mas não podemos deixar que o medo e o ódio se sobreponham ao respeito à pluralidade que existe no Brasil. Não podemos deixar que os embates saiam do campo das ideias.

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