Requalificar

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Dentro dos conceitos de urbanismo, requalificar um local quer dizer transformar os espaços urbanos que estão abandonados, degradados ou subutilizados. Infelizmente não faltam exemplos de lugares assim na cidade ou mesmo na nossa região.
Enquanto aguardamos o encaminhamento de grandes projetos como os PIUs Arco Pinheiros e Vila Leopoldina, que prevêem a reordenação de grandes áreas, pensar em ações menores parece mais viável e, certamente, mais rápido.

A proposta de requalificar os baixos de viadutos é necessária, mas passa por questões complexas. São locais que acabam servindo de abrigo para pessoas em situação de vulnerabilidade, ao mesmo tempo em que são, em alguns casos, pontos viciados de descarte irregular de lixo.

Exemplos de reestruturações feitas em outros países deixam qualquer um admirado e, ao mesmo tempo, frustrado ao perceber que o uso do nosso espaço público está muito aquém do que poderia ser. A culpa disso é em parte da população, que dificilmente se mobiliza para lutar e se apropriar das áreas comuns da cidade, e em parte do governo, não necessariamente uma gestão ou outra, porque há anos se trabalha muito mais com questões de urgência do que com investimentos necessários para transformar a cidade. As diretrizes existem. Temos um Plano Diretor Estratégico muito claro para orientar como a cidade pode ser melhor. Mas, no dia a dia, as desculpas são muitas para fazer apenas o mínimo necessário, como a falta de recursos, falta de equipes, contratos embargados, falta de apoio da iniciativa privada, entre outras, que não deixam de ser verdadeiras.

Na mesma semana em que discutimos como transformar os baixos de viadutos em locais melhores e bem utilizados, duas pontes estão causando bastante transtorno para os moradores. O Viaduto Miguel Mofarrej teve o trânsito de veículos pesados suspenso devido à constatação da perda da integridade estrutural. Se nem o viaduto, que teoricamente é uma construção bastante reforçada, aguenta ileso o impacto de milhares de caminhões que passam diariamente em direção à Ceagesp, imagina as ruas residenciais que agora são utilizadas como vias alternativas? Também foi suspensa a circulação de veículos pesados na Ponte do Jaguaré, por conta do incêndio que ocorreu justamente embaixo da passagem no último mês.

Está na hora de pensarmos, cobrarmos e trabalharmos para ter a cidade que desejamos. Poder andar pelo bairro em que moramos ao invés de utilizar veículos deveria ser almejado por todos. E claro, de preferência que essas caminhadas sejam em locais agradáveis, limpos e seguros. A cidade deve ser vivida. Não pode ser uma inimiga de seus habitantes.

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