Sentido

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Ao pensar nas melhorias que a região precisa é necessário fazer uma reflexão sobre o sentido de cada ação realizada. O mutirão de podas nas últimas semanas, por exemplo, é muito bem-vindo, mas os vários montes de galhos deixados na rua não fazem o menor sentido. Mesmo que o recolhimento não seja imediato, seria bom que não demorasse a coleta, já que esses arranjos atrapalham a passagem de pedestres e acabam virando pontos viciados de lixo.

Na semana passada e nesta tivemos discussões sobre a Ponte Pirituba-Lapa. É compreensível a demanda dos moradores de Pirituba por um acesso mais rápido a outras regiões da cidade, mas da forma que está, será que este dentre outros projetos é o que faz mais sentido?

Em junho aconteceu o incêndio da Ponte do Jaguaré e outro atingiu nesta quinta-feira o Viaduto Alcântara Machado. O Viaduto Mofarrej passar por obras de revitalização da estrutura. Acidentes a parte, devemos construir mais uma passagem em um momento de alegada falta de dinheiro e dificuldades para manter as estruturas já existentes?

E com o episódio tanto da Ponte do Jaguaré como do Viaduto Alcântara Machado chegamos a outro ponto importante: havia pessoas morando embaixo das passagens. Se viver embaixo de um viaduto já é precário, imagina perder o pouco que se tem em um incêndio e entrar na fila de atendimento habitacional da cidade, que definitivamente não anda no mesmo ritmo da necessidade das pessoas.

A Prefeitura já iniciou as obras da Ponte Pirituba-Lapa, com uma expectativa de conseguir os recursos da segunda fase, que inclui melhorias viárias e de drenagem, com recursos da Operação Urbana Consorciada Água Branca (OUCAB). Novos recursos na verdade, porque primeiro é preciso aprovar a revisão da lei da OUCAB, realizar um novo leilão de Cepacs e ter sucesso nesse leilão. Haja otimismo! Enquanto isso, já existe um valor de aproximadamente R$ 600 milhões arrecadados na operação. Representantes eleitos que acompanham a operação sempre cobraram o uso do dinheiro para a construção de moradias de interesse social, mas mesmo com todo o apelo, as obras não começam.
Pessoas são retiradas pela Prefeitura de áreas consideradas de risco com a promessa de que elas vão receber as habitações, mas passa-se tanto tempo que elas acabam voltando para as áreas de risco.

É ruim ficar no trânsito, mas é muito pior saber que existem pessoas que não tem um lugar para morar com dignidade. Precisamos cobrar que nossos governantes optem por realizar não só os projetos que até fazem sentido, mas sim aqueles que são mais urgentes.

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