Valor histórico

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Focados nas questões do presente e expectativas do futuro, muitas vezes esquecemos da importância de olhar para o passado. Conhecer uma história que se passou em determinado local mudará para sempre nossa forma de vê-lo. E aqui na Lapa são muitos os pontos com histórias que as pessoas sequer imaginam. A movimentada Rua Pio XI, por exemplo, já foi palco de mortes causadas pelo DOI-CODI nos anos 70. Curioso saber que um local marcado pela violência é hoje uma clínica de saúde.

Talvez você, que está lendo este jornal agora, se lembre do cheiro de biscoitos que pairava pela Vila Romana, no entorno da Rua Fábia, por conta da Indústria Alimentícia Petybon que operou no local até os anos 2000. E quem sabe algum leitor ou leitora tenha frequentado o Cine Recreio, o primeiro cinema da Lapa inaugurado em 1912 e que funcionou até 1940. Se sua família for tradicional da região, são boas as chances dos seus pais ou avós terem conhecido a magia da sétima arte lá.

Além disso, nossa região foi o berço da TV Tupi, do rock paulistano e está diretamente ligada à história do futebol no país. Muitos acontecimentos ainda podem estar escondidos no passado das ruas e imóveis da Lapa, sejam eles bons ou ruins. O importante é não deixar eles desaparecerem. Se você ou alguém da sua família souber de um local onde eventos emblemáticos ocorreram ou que seja ligado a alguma personalidade, envie para o projeto Inventário Memória Paulistana. Conhecer e perpetuar a história é fundamental para as próximas gerações. Isso é mais fácil quando se tem um museu, um marco ou escultura que remonte a algum fato, mas em uma cidade que está em constante transformação, capítulos inteiros da nossa trajetória são perdidos.

Outra forma de preservar a história é com o engajamento das entidades e pessoas que moram e trabalham na região. Essa semana tivemos a iniciativa de um grupo que quer discutir políticas públicas para a população em situação de rua da Lapa. Um tema muito importante considerando os equipamentos que temos e as pessoas vulneráveis presentes no território. A reunião ocorreu dois dias antes da Prefeitura ter divulgado o Censo da População em Situação de Rua 2019, que aponta que 24.344 pessoas estão em situação de rua na cidade. Entre elas, 11.693 estão acolhidas e 12.651 em logradouros públicos ou na rua.

Com os dados disponíveis é possível mapear as necessidades, seja da cidade ou região, e trabalhar em soluções para o presente e futuro. Da mesma forma, preservar os acontecimentos e a memória do bairro é um instrumento para garantir que erros e atrocidades do passado não se repitam e que agentes responsáveis pela nossa formação não percam seu crédito na história.

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