Obra incomoda vizinhança

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Foto: Divulgação

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Empreendimento na Rua Catão

A construção de um prédio residencial na Rua Catão já foi alvo de críticas pelos vizinhos em diversas ocasiões. Nos últimos anos, o incômodo principal foi em relação ao barulho elevado e o risco de rachaduras em casas antigas.

Porém, no dia 13 de fevereiro, em um cenário de pandemia onde muitos moradores não saem de suas casas, o uso de um equipamento que utiliza diesel têm causado um cheiro intoxicante no entorno. A fumaça do diesel contém substâncias como monóxido de carbono, dióxido de nitrogênio, enxofre, entre outras, e segundo informações do INCA (Instituto Nacional do Câncer), pode ter como efeitos tontura, pneumonia química, irritação da pele, do trato digestório e mucosas, sensação de ardência nos olhos, lacrimejamento, náusea e pode contribuir para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, perda de memória, dificuldade de concentração, perturbações no sono, cefaleia e câncer de pulmão.

Vizinhos apontam que são diretamente impactados pela fumaça idosos, pessoas com doenças crônicas e um recém-nascido. Os moradores recorreram a todas as instâncias possíveis para impedir a ação poluente: entraram em contato com o engenheiro da obra, com a CETESB, com a Ouvidoria Geral do Município, com a Guarda Civil Metropolitana, com a Coordenadoria de Desenvolvimento Urbano, mas ninguém assumiu a responsabilidade de resolver o problema. O barulho também continua incomodando. “Há um mês os vizinhos da construtora sofrem os abalos causados pelo procedimento do bate-estaca. O barulho é enorme. Tudo treme: o chão das casas, os objetos e os corpos. Também há o abalo mental, psicológico e emocional, pois o barulho é intenso e frequente. O momento de pandemia nos faz ficar em casa, trabalhar em casa, e diante dessa situação, ficar em casa é algo aterrorizante, desconfortável e inseguro”, relata um vizinho.

Em 10 de novembro de 2020 foi protocolado na Coordenadoria de Planejamento e Desenvolvimento Urbano um documento da comunidade junto com laudo técnico, pedindo que não fossem utilizados procedimentos considerados agressivos como o “bate-estaca” e “tirante”, mas a subprefeitura não se manifestou. Também foi encaminhado ao Ministério Público um abaixo-assinado com assinaturas de representantes de 37 casas do entorno da obra, mais 34 assinaturas de um edifício vizinho, e o laudo técnico, realizado por um arquiteto contratado pela comunidade sobre o impacto da obra. Os documentos foram protocolados no dia 16 de novembro de 2020, mas até o momento o MPSP não se manifestou.

Questionada, a Secretaria Municipal da Saúde, por meio da Divisão de Vigilância em Saúde Ambiental da Covisa, informa que no dia 18 de fevereiro foi realizada uma inspeção técnica pela Unidade de Vigilância em Saúde (Uvis) na obra em questão. No momento da inspeção, uma máquina perfuratriz estava ligada e foi possível observar a emissão de fumaça de intensidade moderada e cheiro de óleo diesel em combustão. O engenheiro responsável pela obra foi orientado a utilizar filtros na máquina, para minimizar a emissão de fumaça. A Covisa enviará um oficio à Subprefeitura da Lapa, pela competência em fiscalizar a obra, e dará prosseguimento às ações de vigilância em saúde. A Subprefeitura Lapa informa que a obra citada possui alvará regular. Foi informado que uma nova vistoria seria feita no local.

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