Tutelar em parceria

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Um rápido giro pelas ruas dos bairros da gente é o suficiente para que sejamos colocados diante de um cenário preocupante: o futuro de muitas crianças e adolescentes sujeitas a viver em condições precárias em subhabitações ou mesmo em barracos montados em pleno passeio público.
Em vários momentos, as páginas deste jornal retrataram situações críticas de infância e adolescência praticamente abandonadas à própria sorte, como um menino de três anos, que, completamente nu, brincava perigosamente na margem de um córrego poluído por descargas de esgotos da área favelada onde o pequenino morava. Tempos atrás, as lentes da nossa reportagem eternizaram a lágrima de dor e a face desesperada de uma mãe amamentando seu rebento e a clamar por moradia durante remoção de uma favela. Moradia que nem Prefeitura nem Estado foram capazes de lhe garantir.Recentemente, falamos de uma família com adolescentes e crianças morando há mais de cinco anos em barracos erguidos numa calçada da Vila Leopoldina.
Cenários como estes formam parte da arena social a ser avaliada e transformada, a partir do dia 18 de novembro, pelo renovado Conselho Tutelar da Lapa (atuação no perímetro da Sub Lapa). Formado por cinco membros eleitos pelo voto direto da população, o Conselho Tutelar lapeano passou por processo eleitoral no domingo, 16. Dos cinco eleitos, apenas um conselheiro já atuava no órgão, cuja função é fiscalizar, garantir e elaborar propostas que possam se transformar em planos e programas em favor dos direitos da criança e do adolescente.
Inseridos no trabalho a ser desenvolvido numa região que conta com fortes instituições corporativas (ACSP-Lapa, e  Sistema “S” da indústria e comércio), com importantes núcleos universitários e onde existem Associações Amigos de Bairro devidamente organizadas, os conselheiros tutelares deveriam levar em conta o significativo potencial dessas estruturas locais e com elas firmar parcerias.
Professor do curso de Direito das Faculdades Integradas Rio Branco, membro da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo e desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, Antonio Carlos Malheiros conhece muito bem o perfil da conselheira eleita Ermínia Alonso, com a qual trabalhou na Arquidiocese.
Magistrado profundamente envolvido com a questão da infância e adolescência, Malheiros já acena para um trabalho em parceria com o Conselho Tutelar da Lapa. No diálogo com Malheiros, os conselheiros de certo irão receber importantes subsídios para a formatação de um plano de trabalho que busque envolver associações comunitárias, entidades corporativas e instituições de ensino. Se assim for, estejamos, todos nós, certo de uma coisa: a infância e adolescência hoje sem futuro, estarão devidamente tuteladas.

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