Um momento esperado

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Um editorial que eu tinha grandes expectativas de escrever era sobre a reabertura do Hospital Sorocabana, tema que acompanho há alguns anos e muito importante para a região. Mas como quase tudo na vida, a reabertura não foi exatamente da forma que eu imaginava. Não foi porque, afinal, não foi bem uma reabertura que ocorreu.

Ninguém poderia prever que o mundo enfrentaria uma pandemia como essa pela qual estamos passando. Tivemos que encará-la com o que tínhamos à disposição. Diante dos primeiros sinais de lotação dos leitos da rede pública de saúde, conselheiros e coletivos perceberam a oportunidade de incluir o Sorocabana nos planos de contingência da Covid-19. Um cenário duplamente benéfico, já que aliviaria o sistema de saúde e reativaria um equipamento que faz muita falta.

Esse questionamento foi feito à Prefeitura, mas a resposta que veio da Autarquia Hospitalar Municipal foi negativa, alegando que não haveria tempo hábil para incluir o Sorocabana nos planos de contingência da pandemia já que a estrutura estava muito danificada. Bom, aparentemente não estava tanto assim.

De repente, durante uma coletiva de imprensa, a Prefeitura anunciou os leitos que seriam instalados no Sorocabana, no piso térreo que está livre do imbróglio entre os governos municipal e estadual sobre a propriedade da estrutura. Um breve resumo: o prédio do Sorocabana pertence ao Estado e os equipamentos da Prefeitura que lá funcionam o fazem através de um termo de cessão. A luta sempre foi para que o Estado passasse todo o complexo para a Prefeitura que, por sua vez, legalmente poderia buscar os recursos para reabrir o hospital. Esse “diálogo” entre as duas esferas para encontrar uma solução jurídica já dura anos.

A boa notícia é que os 55 leitos que inicialmente vão atender pacientes de Covid-19, quando passar a pandemia, serão mantidos para atender a população. Certamente 55 leitos para pacientes do SUS são melhores do que nenhum. O potencial de atendimento do Sorocabana e sua excelente localização podem ajudar muito mais moradores da região e até de outros bairros. Uma batalha foi vencida, a guerra não. Todos devem continuar cobrando para que o hospital seja reaberto integralmente.

O Sorocabana, além de sua funcionalidade, é também um patrimônio histórico. Muitos lapeanos se orgulham ao falar que nasceram lá, tiveram filhos ou passaram por cirurgias importantes. Essa memória não pode ser perdida. Caso semelhante ao da União Fraterna que essa semana deu mais um passo para o seu restauro. Já o que não avançou foi a discussão do PIU Leopoldina na Câmara, que após quatro anos sendo assunto da comunidade, também é um editorial bastante esperado de se escrever.

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