Para urbanista falta estudo das ciclovias

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Ciclovia da Rua Caio Gracco também desagrada moradores e comerciantes

Assim como os comerciantes e moradores da Rua Coriolano que entraram no Ministério Público para exclusão da ciclovia, os donos de comércio no lado ímpar da Rua Caio Gracco dizem que a ciclovia nem começou a funcionar e já atrapalha o movimento. Com oficina há 11 anos no local, Ademir Garcia, pergunta: e agora? “Ficou ruim, quem quiser pedir um orçamento não vai parar por causa da faixa”, diz Garcia. “O pior é que eles fazem isso e aqui nem passa bicicleta”, acrescenta.

Na Caio Gracco se fala em seguir os passos dos comerciantes da Coriolano e fazer um abaixo-assinado contra a faixa. O funcionário de um estacionamento, Manoel José Marinho, faz coro com Garcia e diz que não passa bicicleta por ali. A ciclovia, segundo a CET, ainda não foi concluída, mas as placas de proibido parar e estacionar já sinaliza que quem deixar o carro sobre a faixa, se flagrado por agentes de trânsito, será multado. Depois de apelar ao Ministério Público, comerciantes da Rua Coriolano procuram saídas para atender a clientela enquanto aguardam a decisão.

Para o arquiteto e morador da Rua Sepetiba, Fausto Schlittler, as ciclovias são necessárias. “Tem que fazer sim, mas com planejamento, estudos, viabilidades, diálogo com a população etc. Para quem é da área, não precisa muito estudo para ver que as ciclovias não têm planejamento algum. Algumas, mesmo sem planejamento, me parecem não interferir, vi algumas na região da Barra Funda que realmente não incomodam em nada e em terreno bem plano”, avalia Schittler.

A favor das ciclovias

Adepto da bike, o morador da região Gustavo Veronesi se incomoda com o que chama da “quase demonização ao uso da bicicleta”. “A cidade foi planejada somente para os carros e parece que essa situação é inevitável, que não há outra possibilidade. Lembro das reclamações quando colocaram a faixa de ônibus. A alegação era a mesma por parte dos comerciantes, a queda no movimento. Será que caiu?”, questiona.

Para os comerciantes ele sugere a colocação de paraciclo em seus estabelecimentos. “Convide as pessoas e verá se mais não usarão a ciclovia ou se cairá o movimento. Pois quem consome são pessoas e não carros. É certo que a novidade sempre causa impacto. Foi assim nas cidades européias que hoje são referências no uso de bicicleta. Aqui não poderia ser diferente, até porque tudo na cidade é voltado para os carros. As pessoas já pararam para pensar em quanto espaço da cidade é ocupado em função do carro (estacionamentos, postos, lojas de autopeças e oficinas mecânicas etc) e o quanto de praças e parques temos? Qual o custo disso pra sociedade (poluição do ar e seus malefícios a saúde, acidentes de trânsito, poluição sonora etc)?”

Para ele não é justo uma cidade ser planejada para usuários de veículos particulares, quando a maioria da população se locomove por transporte publico, a pé e de bicicleta. “Tenho e uso carro, mas não exclusivamente. Também uso bicicleta, ônibus, metro. É preciso ser mais critico e deixar se levar menos por certezas absolutas e se abrir ao novo. É uma nova cultura que aparece de usar mais os espaços públicos. Tem pouco ciclista na ciclovia. Pegue uma bicicleta, um skate, um patins e use”, encerra.

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