Pensar no coletivo

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Quando Thomas Hobbes eternizou a frase “homo homini lupus”, ou, “o homem é o lobo do homem”, originalmente citada pelo dramaturgo romano Plauto, o panorama político da sociedade em que o filósofo inglês vivia não era assim tão diferente do nosso. Em suma, a população lutava para reduzir o poder de um estado absolutista, arbitrário e com uma arrecadação extremamente elevada.

No Brasil, vemos governo após governo tomar medidas que impactam profundamente na economia, reduzem o poder de compra do cidadão e dificultam a vida das corajosas pessoas que, mesmo com todas as dificuldades, tentam empreender no País. Logo, manifestações como a que vimos nos últimos dias são no mínimo naturais.

Infelizmente pudemos ver casos em que de fato o homem foi o lobo do homem com os problemas decorrentes da crise. Ficou claro que a preocupação de grande parte das pessoas era muito mais voltada para o individual do que para o coletivo. Todos correram para os postos para abastecer seus carros e, apesar do transporte individual não ser a melhor opção em um mundo que busca a sustentabilidade, muitas pessoas realmente precisam de seus veículos. Alguns postos venderam combustível a preços exorbitantes e pessoas com muito tempo livre compraram galões para revender e ganhar dinheiro em cima disso. Triste!

A Ceagesp parecia uma cidade fantasma. Sem compradores ou vendedores, com parte dos poucos produtos disponíveis a caminho do lixo, já impróprios para o consumo. Nos mercados, algumas gôndolas vazias levaram os consumidores para uma verdadeira turnê pelos comércios do bairro, para conseguir os produtos frescos que subitamente precisavam. Não foram poucas as críticas aos grevistas.

Exceto pelos casos de violência, é muito complicado criticar alguém por manifestar sua indignação com o governo. É legítimo reclamar quando os políticos se comportam de forma despótica, apesar de felizmente termos um sistema democrático representativo. Ficamos reféns ao ver nosso dinheiro valer cada vez menos. O cobertor orçamentário é curto e sempre tentam passar a conta, explícita ou implicitamente, para nós. Para atender as demandas dos grevistas, o governo vai “compensar” as contas tirando dinheiro de programas sociais e de saúde, como se essas áreas estivessem em pleno funcionamento.

Por isso, é importante se manifestar sim. Pelo menos para mostrar ao governo quem deve servir a quem. Se ficarmos inertes diante de cada decisão arbitrária, as dificuldades só vão aumentar. Uma sociedade equilibrada não comporta o “cada um por si”. E a greve provou que, indubitavelmente, dependemos uns dos outros.

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