Independência e o social

0
31

Nesta semana da Pátria que o noticiário anunciou a nova fase da Operação Lava Jato e a apreensão de malas e mais malas de dinheiro (R$ 51 milhões) em imóvel que seria do ex-ministro Geddel Vieira Lima, sete jovens que cumprem medidas socioeducativas em Meio Aberto (liberdade assistida) na unidade da Leopoldina da Secretaria Municipal de Assistência Social (gerenciada pela Ages) participaram da ação de corte de cabelo para 20 usuários do albergue Zancone.

No bairro em transformação, a Imperatriz Leopoldina dá nome a avenida, onde fica o albergue dos moradores de rua que receberam o serviço gratuito de cabeleireiros dos adolescentes. “Sem dinheiro no banco, sem parentes importantes”, como dizia Belchior em “Apenas um Rapaz Latino-americano”, a população de rua migra desesperadamente de um canto a outro da Cidade, sem eira e nem beira, à espera por mais ações da política de Assistência Social prometida pelo prefeito João Doria para dar novo rumo à sua vida.

O que se vê, pelo menos por enquanto, são operações do tipo “enxuga gelo” onde assistentes sociais conversam (constantemente) com moradores de rua na tentativa de convencê-los a deixar as calçadas e equipes da prefeitura regional fazem a faxina no canteiro da Gastão Vidigal e ruas do entorno da Ceagesp, sem muito resultado prático. Logo eles retornam para o mesmo lugar, como se fossem realmente casas. O remédio é ineficaz.

Enquanto isso, os jovens que cumprem medidas socioeducativas por determinação judicial ajudaram a elevar a autoestima dessas pessoas maltratadas pela vida. Além de resgatar a aparência do morador de rua, os adolescentes praticaram a profissão que aprenderam na oficina que cumprem por determinação judicial para manter a própria liberdade.
A ação é uma troca que conta horas na ficha dos garotos e ajuda os menos favorecidos, vítimas dos desvios de recursos públicos que não chegam à população em forma de benefícios como hospitais, escolas e habitação, por exemplo.

Quantos cabelos teria que cortar o dono das malas de dinheiro encontradas nessa Semana da Pátria no apartamento que seria usado pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima? Quantas oportunidades poderiam resultar a esses jovens?

Essa montanha de dinheiro apreendida revela mais uma traição, dessa vez não só da esposa, como aconteceu na época de Dom Pedro, mas a todo o povo brasileiro (com desvio de recursos públicos de infraestutura, saúde, educação ou habitação), mas principalmente aos jovens, destruindo sonhos de dias melhores. O grito desse setembro é de independência e também de mais oportunidade e menos corrupção.

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA