O bairro é nosso

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Há alguns anos, visitando o meu filho em Toronto, no Canadá, numa rua em festa por causa de jogos, sentei frente a duas senhoras de certa idade, cadeiras simples na calçada. Na mesinha improvisada estava escrito “community management”, gestão comunitária. Explicaram que era frequente: quando há uma concentração de gente, elas colocam essa mesinha, e as pessoas do bairro chegam e deixam reclamações, sugestões sobre como melhorar o bairro. Elas levam as ideias para uma reunião periódica das organizações locais, se é coisa menor as próprias associações resolvem, em caso de necessidade gerem as iniciativas necessárias com o prefeito. A democracia em Toronto funciona com rédea curta, o bairro gere os seus problemas, e recorre às chamadas instâncias superiores apenas quando necessário. É o que chamamos de subsidiariedade, ou seja, na dúvida, as soluções são tomadas pelo escalão mais próximo da população.

Nós aqui temos a tendência inversa, e os prefeitos passam muito tempo buscando dinheiro no topo da máquina estatal, em filas nas antesalas dos ministros. Nas cidades que funcionam pelo mundo afora, o essencial é gerido de forma participativa pelas comunidades. Inclusive, boa parte do dinheiro público é repassado para as organizações comunitárias, pois o dinheiro é melhor gerido quando a decisão está na mão dos próprios interessados.

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